Isso aqui é apenas um brainstorm sobre um assunto muito pouco falado no Brasil. Eu já tinha ouvido algo mas foi uma matéria de uma revista que ganhei no Intercon 2009 que me fez ter um pequeno vislumbre desse mercado.
O nanopagamento é a solução para um problema: Fulano desenvolve programas, porém não encontraria pessoas que pagariam o que seu programa realmente vale. Então, que tal se eu fizesse um preço bem pequeno e muitas pessoas o utilizassem?
Dessa forma, ao invés de poucos usuários pagarem 300 reais por um aplicativo, que tal se muitos pagarem 50 centavos pela utilização?
Segundo uma matéria de Tom May, na Revista W (Ano 10, n° 110), os nanopagamentos permitiram à chinesa Tencent a receita de U$ 523 milhões em 2007, sendo boa parte desta receita baseada em compra de bichinhos, flores e cartões virtuais na base de 0,10 a 0,99 centavos cada. E isso aconteceu num país onde o salário médio é muito baixo.
Pela minha observação, também estão sendo utilizados nanopagamentos para jogos online como o Combat Arms, A.V.A. e muitos outros, onde por 5 dolares você pode comprar uma arma customizada que lhe oferecerá vantagens no jogo de tiro em primeira pessoa.
Além disso, no mercado de software desktop, a Hábil, empresa brasileira de desenvolvimento de sistemas para gerenciamento comercial lançou há alguns anos um programa homônimo, que pode ser utilizado gratuitamente se exibir um banner de publicidade (adware) ou ainda pode ser removido pela módica quantia de R$ 29,90. Nesse caso, apesar de ser uma cifra que ultrapassa os poucos centavos, ainda assim é um valor irrisório se comparado aos benefícios do software.
Tenho pensado no desenvolvimento de sites para jornais locais, que teriam notícias de interesse de um público que não ultrapassam as 500 mil pessoas. Explicando melhor, 500 mil pessoas moram na área coberta pelas notícias desses veículos de comunicação, mas não necessariamente essa quantidade de pessoas usaria o serviço. Sua venda em bancas é da ordem de 4.000 exemplares por edição e vivem graças à anunciantes locais que variam de 50 a 180 anúncios em cada edição dependendo da época do ano.
Os empresários de jornalismo impresso em cidades pequenas e médias não criam sites dos seus devidos jornais porque tem em mente o seguinte dilema: Se eu tornar meu conteúdo acessível online, quem compraria o jornal?
Os jornais locais sofrem com a falta de assunto. Cidades pequenas e médias tem alguns poucos eventos, poucos crimes e acidentes e sofrem sob o domínio político que tentam afogar os veículos de comunicação da oposição. Ou são neutros ou são a favor do governo municipal.
Eu faço compras diariamente em um mercadinho próximo à minha casa, onde são comercializados dois jornais da cidade. Às vezes tenho vontade de comprá-los por uma ou outra matéria de capa, porém quando penso em pagar 2 reais sabendo que só vou ler uma matéria e jogar o jornal fora, logo desanimo e não compro.
Porém, caso houvesse um site, eu pagaria para ler apenas aquela matéria. Quanto? 15 ou 20 centavos com certeza.
Partindo desse princípio e também de que eu nunca seria um assinante de um jornal local, eu creio que outros talvez pensassem como eu caso tivessem a oportunidade de ler as materias que interessam por pequenos valores.
Penso em como viabilizar isso e tornar a internet rentável para esses pequenos veículos de comunicação.
Além disso, em que outras aplicações podemos aplicar os nanopagamentos?
E você:
1 - Assina um jornal local?
2 - Pagaria uma quantia irrisória para ler uma matéria de interesse em um jornal local?
Votem em nossa enquete, comentem e divulguem esse tópico. Vamos discutir os nanopagamentos.

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